sábado, 29 de dezembro de 2012

Obrigada 2012!

2012 vai se despedindo daquele jeitinho bem particular dos finais de ano: supermercados e trânsito caóticos, pessoas andando apressadas pelas ruas, luzes natalinas... Assim também está Libreville! 

Muitos restaurantes da cidade promoveram menus especiais para a Ceia Natalina e muitos deles, alguns dias antes já não estavam mais aceitando novas reservas... Lotados! Dentre as opções, escolhemos jantar no restaurante do hotel que moramos quando chegamos em Libreville e foi excelente! Foi bom voltar lá e agora se sentir um pouco mais "em casa". Um Natal bem diferente, mas muito especial!

Não posso deixar de compartilhar com vocês a festinha de fim de ano da Escola São Tomense! Foi o dia mais quente dos últimos tempos e também o mais cheio de sorrisos! Muitas crianças faltaram à festa, ainda assim foi uma grande festa, com direito a maquiagem facial, brigadeiros, bolo de cenoura e várias outras diversões! Um obrigada super especial à minha querida amiga Núbia! 








Para a virada do ano, o governo gabonês providenciou uma grande queima de fogos na beira-mar. A expectativa está grande! Só espero que na virada não caia uma das chuvas torrenciais que andam caindo por essas bandas... 

No mais, obrigada 2012! Obrigada, pois de você eu levo esses sorrisos, as descobertas, as lembranças de viagens e a marcante chegada em África. Os obstáculos de 2012 foram muitos... doença na família, choque cultural e idiomático, saudade... tudo isso foi (e está) sendo vencido aos poucos, com calma, paciência, amor e força! Rendendo bons aprendizados e de certa forma cumprindo O Objetivo!

Que 2013 seja cheio de bons momentos com Saúde, Alegria e Paz! 

Um agradecimento especial aos queridos amigos e familiares que acompanharam o blog em cada novo post, em cada desabafo meu em e-mails, bate-papos, skype... encurtando as distâncias, amenizando a saudade e as dificuldades e assim, de alguma forma, fazendo parte da minha vida! 

FELIZ 2013!!!!
ps: Estamos próximos dos 11 mil acessos! ;)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O colorir dá vida

Minha paixão pela ilha de São Tomé e Príncipe se torna cada dia maior. Eu não sei precisar quando esse caso de amor começou, mas foi aquele tipo de amor que aumenta no dia-a-dia, em cada descoberta, em cada olhar...

Talvez tenha começado ainda em Brasília, lá em 2010, quando conheci alguns diplomatas são-tomenses que faziam seus estudos no Itamaraty e com quem tínhamos excelentes conversas sobre as diferenças entre a África e o Brasil! Depois cresceu com nossa chegada ao Gabão, quando conhecemos os funcionários de nossa embaixada aqui, quase todos são-tomenses, que tão bem nos acolheram e que seguem ao nosso lado em cada pequena dificuldade encontrada! Com a convivência com eles, fui conhecendo esse povo de costumes tão louváveis, que prezam pelo respeito ao próximo e valorizam as coisas simples da vida, a amizade, a educação!



Por conta do acaso, ou não, três meses depois de chegarmos à Libreville, recebemos um pacote na caixa postal da embaixada (não existem endereços no Gabão). Meu marido foi buscar o pacote e voltou para casa com a frase: "Você não vai acreditar!". Um amigo dele, já sem contato há algum tempo, havia enviado um livro e junto uma carta que entre outras belas e confortantes palavras explicava um pouco sobre São Tomé: "Um lugar que, embora bem próximo do Gabão, é distinto por sua geografia, população, história, cultura e infelizmente, desenvolvimento econômico."
O livro em questão é o "Equador", de Miguel Sousa Tavares, um romance que se passa na ilha, na época da colonização portuguesa no início do século XX e que narra maravilhosamente bem os detalhes da paisagem, e também, de uma forma chocante e diferente de tudo que eu já havia lido, a escravidão. Um livro que me deixou ainda mais envolvida com São Tomé e Príncipe.

Eu ainda estava no início do livro quando embarcamos no aviãozinho que comporta umas 20 pessoas, que parte de Libreville e chega em São Tomé em apenas 30 minutos! Do alto já se vê a transparência das águas e a areia branca. Além de ver de perto aquela natureza virgem, ainda pudemos reencontrar nossos queridos amigos. Desde então, cada vez que penso nessa ilha, meu coração fica pequenininho, aconchegado, feliz... exatamente como me senti naqueles poucos dias por lá.

E novamente o acaso se fez presente! Algumas semanas após terminar de ler o livro, tive um encontro inesperado com o idealizador de um projeto-escola para crianças são-tomenses que moram em Libreville. A escola funciona desde 2000 e tenta manter viva a língua portuguesa, a cultura e os valores sócio-culturais do povo de São Tomé e Príncipe. As famílias são imigrantes que deixaram a tranquilidade da ilha para buscar trabalho - tão limitado por lá, e viver nas terras gabonesas.

A Escola Piloto São Tomense sobrevive graças à dedicação do diretor-fundador, um professor de educação física, que também veio tentar a vida no Gabão. Ele conseguiu o reconhecimento da escola perante o governo gabonês e o Ministério da Educação de São Tomé e Príncipe, do qual recebe uma pequena ajuda anual para a continuidade do projeto. Os demais custos são cobertos pelas pequenas mensalidades dos alunos e de ajudas esporádicas recebidas de Portugal, Bruxelas e outros parceiros, entre eles o Brasil, que fazem algumas doações de materiais didáticos.

Fui conhecer o projeto e as crianças. Caí de amores pelos 82 rostinhos lindos que me receberam cantando e dando boas-vindas! Fiquei sem reação. Não tirei foto. Não consegui absorver tudo que vi... Existem ainda outros 100 alunos em uma área metropolitana da cidade que ainda não conheci.

A escola fica em uma pequena construção, atrás de algumas barracas improvisadas de uma feira livre, um petit marché. A pintura está boa, tem um pátio pequeno e algumas salas pequenas e abafadas, algumas delas sem janelas e outras com problemas com a fiação, iluminadas apenas pela luz natural. Não tem livros para todos os alunos, precisamos tirar cópias. São 5 professores, por isso algumas turmas comportam 2 séries diferentes. E muitas, muitas outras dificuldades... Apesar de tudo isso, os alunos que saem da Escola Piloto São Tomense, aos 12/13 anos, conseguem seguir o ritmo das escolas gabonesas, falando e escrevendo bem francês e português, mostrando que o projeto precisa se manter vivo!

Eu nunca fiz trabalho voluntário e nem tenho tanto jeito assim com crianças, mas em pouco tempo eu já tenho muitas histórias para contar sobre esses pequenos... A cada tarde que passo lá sinto menos calor e volto para casa menos cansada e os conhecendo pelo nome e sabendo quem quer ser médico, jogador de futebol, engenheira de petróleo, cantor, desenhista ou uma piloto de avião!!! E o sonho comum de um dia conhecer o Brasil!

No meu primeiro dia, levei cópias impressas do Papai Noel para o pré pintar. Me arrependi! Os lápis de cor estavam sem pontas, numa caixa toda bagunçada... 


Pesquei alguns e o resultado foi: Papais-Noéis monocromáticos! :(



Levei aquela caixa para casa e agora já temos desenhos mais coloridos! :)

Como eu escrevi certa vez no facebook: Algumas experiências não são possíveis de serem compartilhadas, nem por palavras, nem por fotos. Elas simplesmente permanecerão vivas, coloridas, com cheiros, com vozes e olhares no meu coração e na minha mente. 

Não vejo a hora de encontrá-los e receber de novo aqueles abraços (claro, todos ao mesmo tempo)!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

E os filhos?

Ainda não os tenho, mas tenho percebido que sua educação é o tema que mais preocupa quem os têm na hora de ir ao exterior. Tenho conhecido muitos expatriados com filhos em idade escolar e o consenso entre eles parece ser de que a parte mais difícil da expatriação é a questão da adaptação dos filhos ao novo país e o prosseguimento de sua formação escolar. O assunto é o "número um" na quantidade de preocupações e reclamações, seguido pela questão das dificuldades de adaptação de cônjuges que deixam suas vidas profissionais para seguirem a pessoa amada. Esses dois assuntos são responsáveis por grande parte das insatisfações, discussões e casos de fracasso na expatriação. Não estamos falando, afinal, de férias de fim de ano e nem de alguns meses conhecendo a cultura de um país... estamos falando de mudanças de anos e anos, estruturais. É a tentativa de se tentar manter viva sua cultura, língua e modo de vida em meio a mundos muito diferentes. 


Para este post, contei com a experiência da querida amiga Gabriela, também expatriada e mãe da Malu - linda, meiga e inteligentíssima - de 10 anos que já passa pelo seu segundo país na África!

Como a Gabriela me explicou, os pais devem sempre procurar a escola que possa deixar seu filho mais seguro, confortável e onde o choque cultural seja possivelmente menor, o que nem sempre significa a escolha mais óbvia (simplesmente por na escola mais cara que seu dinheiro possa pagar ou na mais renomada). Aqui no Gabão, os expatriados costumam optar pela escola americana ou pela escola francesa. Como o país é francófono, é comum que os não-provenientes da área francófona nem da área anglófona optem pela escola francesa, que poderá auxiliar na adaptação, facilitando a assimilação linguística e cultural.

Mesmo que seja uma grande mudança para as crianças, elas normalmente aprendem a falar outro idioma com grande facilidade. A existência de outros alunos ou de algum professor que fale a sua língua nativa, no entanto, facilita, deixa a criança mais tranquila nos primeiros dias e é algo a não se perder de vista durante a escolha.  Existem, porém, outros pontos que os pais devem estar atentos, como a questão de como conciliar currículos com os o do país de origem, quando se pensa em um retorno.

A Gabriela optou por matricular a Malu na escola francesa e também numa escola brasileira de ensino à distância. O programa do ensino à distância inclui todas as matérias de uma escola normal no Brasil, inclusive textos de Educação Física, fichamento de livros, exercícios e provas. A cada dois meses a Gabriela recebe o material de estudos e também envia - pelo correio expresso - os exercícios e as provas feitas pela Malu, que são corrigidas e avaliadas pela escola brasileira.

Cabe aos pais a responsabilidade de acompanhar de perto a evolução escolar dos filhos e verificar se a escola de ensino à distância está devidamente credenciada no MEC. Caso a família opte em não levar as duas escolas ao mesmo tempo e apenas validar o currículo ao voltar ao Brasil, é necessário verificar na Secretaria de Educação do seu Estado qual o procedimento a ser seguido.

Outro ponto importante é atentar-se ao fato de que o calendário escolar no Brasil é diferente da maioria dos países. Ao retornar ao Brasil, a criança vai precisar pular ou repetir um semestre. A grande vantagem do ensino à distância é que a criança vai estar seguindo o mesmo calendário do Brasil, sem ser prejudicada futuramente. E ainda ajuda a preservar suas raízes linguísticas e culturais!

É cansativo, no entanto, conciliar duas escolas ao mesmo tempo, tanto para os pais quanto para as crianças. Estas, naturalmente, costumam não perceber claramente a dimensão do esforço dos pais e da riquíssima bagagem que estão recebendo, percebendo, isso sim, a carga enorme de trabalho a que estão sendo submetidas. A família precisa, acima de tudo, ser o grande porto seguro da criança, pois tantas mudanças podem fazer com que ela se sinta deslocada no exterior e até mesmo no Brasil. 

Soma-se à isso as dificuldades e particularidades de cada país. Aqui no Gabão, por exemplo, não há parques de diversão, praças, cinemas, shoppings, grandes livrarias, bibliotecas ou atividades que colaborem na adaptação das crianças estrangeiras... Realmente, é outro mundo! 

É muito comum encontrarmos filhos que se comunicam com os pais em outra língua que não a originária da família (i.e. pais brasileiros que acabam se comunicando em francês com os filhos), ou que entendem a língua dos pais, mas não a falam e, ainda, os que, ao retornar ao Brasil, não conseguem entrar na universidade por não conseguirem escrever em português...

Resta aos pais lidar com mais este desafio da melhor maneira possível (isso que nem entramos na seara dos custos). Os que conseguem, no entanto, deixam aos filhos um legado multilinguístico e multicultural que só pode ser positivo.

Sobre este tema, indico: 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Sobre Malária

Rodando pelo mundo acabamos ficando expostos à uma série de riscos, entre eles as questões de segurança e saúde são os mais delicados. Podemos tomar uma série de ações de prevenção no caso da saúde, como vacinas, medicamentos e etc, mas a melhor ainda é a informação! Sabemos que as condições para os funcionários do Serviço Exterior Brasileiro e suas famílias precisam evoluir - principalmente se comparadas às já adotadas por outros países, empresas privadas e organismos internacionais - enquanto não chegamos no ideal, o melhor é tomarmos algumas providências.

Morando aqui na África vi que é possível viver com tranquilidade, sem tanta neurose com os perigos da malária, basta seguir algumas recomendações importantes. Deixo abaixo um resuminho que fiz e que poderá ajudar a eliminar as primeiras dúvidas. Lembrando que o mais importante é prevenir e caso seja picado por algum mosquito é bom ficar bem alerta aos sintomas e aos procedimentos:

A malária é uma doença comum na África, transmitida através da picada de mosquito. A malária é mais comum do que gripe na África e casos de dengue praticamente não existem. Já houve casos de pessoas que voltaram da África ao Brasil com malária e os médicos acabaram confundindo com dengue e realizando o tratamento erroneamente...

Dicionário

Malária - português (Brasil)
Malaria - inglês
Paludismo/ Palu - demais países de língua portuguesa
Paludisme/Palu - francês

Prevenção

A atividade do mosquito "Anopheles", vetor da malária, concentra-se no crepúsculo e no amanhecer. Nesses horários, quando se encontrar ao ar livre, o viajante deve procurar vestir calças, camisas de mangas compridas e de cores claras, sapatos fechados e utilizar repelente de insetos. 
  • Repelentes com PERMETRINA em sua fórmula e ao menos 20% de DEET. Dica: repelente AUTAN. No Brasil existe a marca EXPOSIS - http://www.exposis.com.br
  • Use mosquiteiros para dormir e certifique-se de que dentro dele está livre de mosquitos. Mosquiteiros são de fácil acesso na África e normalmente possuem permetrina também, que afasta os mosquitos. 
  • Feche janelas do quarto antes do anoitecer e, caso tenha, ligue o ar condicionado. 
  • Compre um inseticida, nem sempre os hotéis detetizam os quartos diariamente. 
Sintomas

Os sintomas da malária são muito parecidos aos da gripe: febre alta, dores musculares e nas articulações, calafrios, suor, dores de cabeça e às vezes vômitos e náuseas. Ao sentir algum destes sintomas vá ao medico imediatamente. 

OBS: NÃO TOME NENHUM OUTRO MEDICAMENTO ANTES DE REALIZAR O TESTE DE MALÁRIA. OUTROS MEDICAMENTOS PODEM MASCARAR OS SINTOMAS E AVANÇAR A DOENÇA, FICANDO MAIS DIFÍCIL O TRATAMENTO.

Teste de malária

Toda clínica/hospital/laboratórios realizam o teste da malária. É um exame de sangue e normalmente o resultado é dado na mesma hora. Todo médico na África conhece bem os medicamentos para o tratamento, siga rigorosamente as instruções.

Medicamento

Toda farmácia na África tem remédio para malária, no Brasil é raríssimo. Existem vários medicamentos, com formas de tomar diferente e que dependem da idade, peso e do quanto a doença já avançou em cada paciente. Algumas vezes, quando já está um pouco mais avançada a pessoa precisa ficar no hospital tomando soro e sob observação. 
Dica de remédio para a malária: COARTEM - seguir rigorosamente as instruções da bula.

Obs: Compre na sua chegada ao país e leve com você - na bagagem de mão - em sua viagem de volta. Ao retornar de viagem e sentir algum desses sintomas, avise seu médico que esteve em área de risco de malária. Os sintomas às vezes aparecem até mesmo meses após o contato com o mosquito transmissor. Guarde os remédios em local de fácil acesso e mostre ao seu médico.

Vacinas

Não existe vacina para malária. Apenas o tratamento da doença, que é muito eficaz se iniciado o estágio inicial da doença. Prevenindo outras doenças: cerca de 45 dias antes da viagem verifique e priorize as seguintes vacinas: 

- Febre Amarela
- Febre tifóide
- Difteria e tétano
- Hepatite A+B

Outros cuidados
  • Tome apenas água mineral engarrafada
  • Tenha quantia em dinheiro na moeda local. Vários países da África não aceitam cartão de crédito ou débito em diversos estabelecimentos, inclusive em hospitais.
  • Não permanecer em locais com mosquitos (bares, restaurantes) principalmente durante a noite.
É uma doença grave mas que se tratada logo no início é totalmente contornável. Em nossa estadia de 2 anos na África nunca pegamos malária e pouquíssimos de nossos conhecidos tiveram a doença. Os que tiveram a doença foram imediatamente medicados sem nenhuma complicação mais séria.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Haja coragem

Muitos são os desafios para aqueles que aceitam a missão (no sentido mais amplo da palavra) de trabalhar em postos D, os mais difíceis do serviço exterior brasileiro.

Mais um caso extremo infelizmente aconteceu. A Assistente de Chancelaria Berenice Ferreira faleceu de malária e febre tifóide nesta semana. Ela estava em missão em Malabo, na Guiné Equatorial, país vizinho aqui do Gabão. Assim como a diplomata Milena Medeiros, ela faleceu em virtude do agravamento do seu quadro e fez, uma vez mais, o Brasil conhecer o "lado B" de seu serviço exterior.

As famílias que entram nessa "aventura" de representar o Brasil em locais que apresentam riscos precisam de auxílio, informação e maior suporte do governo. Muitos e frequentes são os casos de malária entre funcionários e contratados locais, mas não são só as doenças que ameaçam... Existem os riscos de atentados, furacões, terremotos, distúrbios civis. Todos esses casos ocorreram nas duas últimas semanas em alguma parte desse mundo, lugares onde temos colegas próximos trabalhando, queridos amigos que também colocaram "o pé no mundo". Basta ver algumas notícias da semana: furacão no Haiti e nos EUA, terremoto na Guatemala, frequentes atentados e distúrbios civis no Iraque, Síria, Líbano...

Não raro vem a pergunta: "vale a pena o risco?" ou "o que estou fazendo aqui?" - mas aqui estamos! Haja coragem para deixarmos nossa pátria, que não sofre com nenhum desses infortúnios!

A amiga de Berenice, Erika Vanessa, postou, na página do facebook do MRE Brasil, a seguinte mensagem:

"Venho manifestar o meu repúdio a uma situação infelizmente tão comum no MRE, mas pouco conhecida de toda sociedade. Veio a falecer uma querida colega que estava em Malabo. A Assistente de Chancelaria Berenice Ferreira faleceu em decorrência do agravamento do quadro de malária e febre tifóide adquiridos durante sua missão. Foi mandada com urgência ao Brasil e não resistiu. Muito se falou e muito se repercurtiu após o falecimento da Diplomata Milena, mas o que acontece de fato é que pessoas continuam morrendo. Servidores públicos a serviço do país continuam morrendo de graves doenças, principalmente em postos C e D no exterior. Muita coisa precisa ser mudada e repensada no tratamento dos servidores públicos a serviço do Governo brasileiro em outros países. Não se pode mais admitir tanto descaso. O apoio necessita ser integral, efetivo. Quantos mais precisarão morrer até que finalmente alguma providência efetiva possa ser tomada? Quantos mais precisarão perder a vida? Isso precisa ser divulgado para toda sociedade, para aqueles que, por desconhecimento, muitas vezes pensam que nós vivemos vida de luxo no exterior. Casos como o da AC Berenice não são divulgados, mesmo sendo o retrato da realidade. Fica aqui o meu manifesto, o meu repúdio à falta de estrutura no exterior. Queremos DIGNIDADE!"
https://www.facebook.com/Brasil.MRE?fref=ts

Deixo aqui o registro e meus pêsames a mais esta família.
Para os que seguem, desejo saúde, coragem e ânimo!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Descobrindo a África

No último post comentei sobre a falta de água durante 4 dias em Libreville, isso já faz uns 10 dias... A distribuição de água voltou na data prevista e a rotina voltou ao normal. Na verdade, nem tanto! Tiveram 2 feriados nas últimas 2 semanas - explicando o meu sumiço! =)

Na sexta-feira, dia 26 de outubro foi o feriado islâmico de Eid al-Adha ou Festa do Sacrifício. O Gabão adota os feriados islâmicos, mas também os feriados católicos. Aproveitamos o feriadão para também fugir da falta de água e fomos nos aventurar a apenas 300 Km de distância:  na ilha paradisíaca de São Tomé e Príncipe, que possui cerca de 160 mil habitantes!

Até 1470 as ilhas eram desabitadas. Descoberta pelos portugueses que a dominaram até 1975. Importaram mão-de-obra escrava das demais colônias para a produção de cana-de-açúcar, café e cacau.



Marco do Equador. A linha que separa os hemisférios.
Desfrutamos de maravilhosos dias de sol, de história, de paisagens de encher os olhos e o coração. Revimos amigos queridos e nos embriagamos da simplicidade e da simpatia desse povo tão próximo de nós brasileiros - mesma língua, mesmas frutas e em muitos momentos do passado, partilhamos da mesma história. Foi incrível, inesquecível...






Forte Português. 
Voltando a Libreville, foi decretado feriado nos dias 01 e 02 de novembro, e assim emendando, mais uma vez, com o fim de semana. Tentamos ir para Angola, porém, por alguns detalhes na programação, mudamos o roteiro e fomos para o Marrocos.  Um roteiro que já estava nos nossos planos há mais de 6 anos!!! Claro que reduzimos o roteiro para caber no feriado, mas foi como previsto: incrível, extasiante!

Casablanca







Fès






Aos poucos vamos descobrindo as riquezas do continente africano. Tantas belezas, tantas culturas, tanta história.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Um brinde, com água?

Como eu comentei no post anterior, estamos na estação de chuvas. E são chuvas muito fortes e frequentes, típicas de floresta tropical. Esta semana fomos surpreendidos com a notícia de que, com o último dilúvio, a tubulação da água que abastece a cidade foi rompida. A expectativa é de que demore uns 4 dias ou 5 dias para a que a reconstrução seja finalizada, ou seja, serão uns 5 dias em que a água estará MUITO limitada na cidade inteira, só 1/3 da capacidade. Onde moramos há caixa d'água, então por enquanto tudo está bem, mas um dos funcionários da Embaixada já está sem um pingo nas torneiras há mais de 48 horas...

Ps: As fotos deste post foram divulgadas pelo jornal local.


Com a notícia, parti ao supermercado para fazer um estoque de água mineral. Não apenas eu, mas cidade inteira... trânsito lotado, supermercado repondo água sem parar nas prateleiras e em certo momento até limitando a quantidade de água que cada pessoa poderia comprar. A essa hora, a cidade já deve estar praticamente desabastecida de água mineral.

A maior parte da população, sem condições de comprar água mineral (cerca de R$ 2,00 a garrafa de um litro e meio) saiu às ruas com baldes e o que mais fosse possível para buscar água sabe-deus-onde. Foi e está sendo um pouco caótico este momento. 


Vários prédios possuem reservatórios d'água e sei de apenas um hotel que tem um poço artesiano. Como eu disse, nosso prédio possui um desses reservatórios e ainda temos água na torneira, mas não sei até quando... Loucura, não? Precariedades de um país florestal na infância de seu desenvolvimento...

No mais, vamos seguindo em frente! 
Hoje, vamos dar sequência ao que pede a tradição diplomática: oferecer um jantar em homenagem ao embaixador e à embaixatriz do posto no qual se está servindo. Para o jantar, é recomendada a presença de 8 pessoas e um serviço à francesa, acompanhado de todos os detalhes que a etiqueta exige. Um deles é o envio do convite formal, assim fizemos. 



Existe ainda os detalhes de como por a mesa, de como alocar os convidados e o mais importante de tudo: uma conversa agradável e um clima de cordialidade...mesmo faltando água! Como disse nosso embaixador: "pense que se você não conseguiu água para tomar banho, pode ser que seus convidados também estejam na mesma situação e aí é 'rir pra não chorar'"! 

Um brinde à diplomacia! 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Libreville Cult

Depois de uns dias pela África do Sul (Joanesburgo e Soweto) e um "pulinho"no Brasil, estamos de volta! Joanesburgo é incrível, a África do Sul é incrível... Excelente destino para férias! ;)





Em Libreville começou a estação das chuvas e deve durar cerca de 6 meses. Chove todos os dias, mas não o dia todo e o calor só aumenta.

Finalmente, abriram o primeiro curso de francês para estrangeiros e semana que vem começo no nível B1 - que seria o intermediário de francês. Uma felicidade! Pois até agora eu vinha improvisando os estudos com um amigo gabonês e leituras aleatórias. Agora vai!

A comunidade de expatriados é grande aqui em Libreville. Nem tanto o corpo diplomático, mas principalmente os trazidos pelas multinacionais. Os benefícios oferecidos para funcionários que decidem vir para a África são sempre bem atrativos e sem dúvida, necessários. O Gabão, em especial, oferece boas escolas para aqueles que tem filhos e com certeza, a tranquilidade e segurança da cidade é relevante na hora da escolha.

Isso me lembra que estou devendo um pedido de post, sobre os desafios das crianças expatriadas. Vou cumprir, viu Gabriela? rsrs

Viver essa mistura de povos e culturas é uma oportunidade incrível! Esta semana, minha vizinha, que é belga, me chamou para uma reuniãozinha na casa dela.  Lá se pude conhecer outras mulheres expatriadas vindas do Japão, Chile, Espanha e França! Imaginem tudo isso junto? É incrível ouvir as histórias e experiências que cada uma delas tem vivido pelo mundo e sem dúvida, ajuda. Ajuda a superar aqueles dilemas internos e a ver que você não está só neste desafio de mudanças constantes e de simplesmente mudar os planos e recomeçar!

Nos últimos dias pude conhecer um pouquinho da cultura Coreana, que estava celebrando 50 anos de sua embaixada aqui no Gabão. Tiverem coquetel com comida coreana, apresentação de filmes e um espetáculo de dança que misturou a cultura e a modernidade da Corea do Sul. Lindíssimo!
Apresentação de dança coreana!
Falando em cultura, domingo fomos em um almoço com comida, música e desfile de moda - todos típicos da cultura gabonesa. No hotel onde estava acontecendo o evento, também havia uma exposição de fotos do fotógrafo belgo-beninense Fabrice Monteiro! Vale a pena conferir o link!

As minhas fotos não ficaram muito boas, pois foram pelo celular, mas servem para registro:
Eu - e meu vestido com tecido africano!





terça-feira, 9 de outubro de 2012

Point Denis

Point Denis é uma península que fica entre o Oceano Atlântico e o estuário de Libreville. Para chegar lá são 20 minutos de barco - a partir da marina Michel Marine, próxima ao centro da cidade - vale a pena!



Drinks de boas vindas!

Do outro lado do estuário a água é transparente, limpíssima, cheia de cardumes de peixinhos e areia fina e branca. Existem alguns hotéis/restaurantes que oferecem pacotes para passar o dia que inclui o transporte de barco + confortáveis cadeiras ou tendas + almoço!


Uma das opções para este passeio é o La Baie de Tortues. Para quem quiser aproveitar o final de semana neste paraíso é só reservar um dos vários chalés do hotel!

Se você é mais aventureiro, é possível fazer caminhadas guiadas, andar de bicicleta, pegar um barquinho para sair remando ou ficar só admirando!




Em algumas épocas do ano é possível ver baleias passeando com seus filhotes ou mesmo, tartarugas marinhas! Elas costumam depositar seus ovos durante a noite. Quem sabe um dia não demos sorte de presenciar algum destes espetáculos da natureza!?


Superado o medo do barquinho que nos levou até lá, o jeito foi aproveitar o dia e já planejar as próximas!!!