sexta-feira, 27 de abril de 2012

Saúde física e mental

As coisas aqui, a princípio, voltaram ao normal. Segundo o jornal local, o fornecimento de energia foi regularizado, consequentemente a água também e já conseguimos encontrar a água mineral Andza à disposição nos mercados. E a internet aqui no hotel também vai bem!

Eu gostaria de falar mais sobre o título do blog, porém, a cada dia eu descubro coisas novas por aqui e acabo adiando. E vou adiar mais uma vez... mas acho que neste início vale a pena contar os detalhes dessa incrível experiência. Espero assim, deixar bons registros, os mais próximos da realidade possível. Bom, alonzy!!!

Recentemente dei-me conta que, não raro, via pessoas fazendo certas "esquisitices" nas ruas. Então soube que existia na cidade apenas um hospital psiquiátrico e que o mesmo acabou sendo desativado. Consequência? Os loucos estão à solta! Esses dias vi um que lutava boxe com um poste (!!!). Pode ser engraçado no primeiro momento, mas isso representa a dificuldade da administração dos recursos de um país que têm outras prioridades. Louco aqui é o de menos. 

Mesmo com loucos à solta, a cidade tem violência próxima de zero. Diferente de nosso Brasil. Diversos fatores colaboram: o país não é rota do narcotráfico; o país tem 1,5 milhões de habitantes, sendo 700 mil na capital, o que torna mais fácil o controle; as ruas tem muito policiamento; e com certeza, a questão cultural. Definitivamente, os africanos são um povo muitíssimo ligado à sua crença e isto é a base de toda a educação deles. O respeito ao próximo e a cordialidade regem as relações por aqui. Claro que se tem notícias de pequenos furtos e demais ocorrências, mas nada tão forte quanto o que vemos em nossos portais brasileiros de notícias. 

Como já citei em outro post, aqui tudo é muito caro, tudo é importado. Incrivelmente, ligações para o Brasil são uma pechincha! Isso nos surpreendeu. 3 minutos de ligação para Curitiba custou perto de R$ 0,50! Porém, na semana em que faltou água mineral nos mercados, chegamos a pagar cerca de R$ 25,00 por 6 míseros litros de água mineral. Livreville é a décima terceira cidade mais cara do mundo... 

Já usei o sistema de saúde. Assim que chegamos um inseto me picou no pulso e estava inchado, dolorido e vermelho. Com medo do mosquito transmissor da malária, corremos para uma clínica particular para fazer exames. Chegamos próximo ao meio-dia. A recepcionista perguntou o motivo da urgência e quando ela viu meu braço, ela disse: Voltem depois das 15 horas. Para ela, meu caso não era urgência. Então fomos para outra clínica, que após certa insistência nos atenderam. Pagamos a taxa de atendimento, ela examinou. Pediu exame de sangue. Enquanto eu aguardava (tensa), pagamos o exame. Feito. Resultado em 40 minutos: não era nada grave. Ufa! 

Cerca de duas semanas depois a filha do motorista da embaixada (o mesmo que me levou na clínica e que fez todos os esforços para que eu fosse atendida) ficou doente. Ela foi para um hospital público, ficaram mais de 12 horas para serem atendidos, num dia que estava particularmente mais quente que o normal. Ficaram lá, num local sem ar-condicionado, lotado e a filhinha dele de 5 anos então foi atendida e diagnosticada com asma. Ele saiu de lá sem nenhum remédio e deixou na farmácia 1/3 do seu salário. Isso lembra o nosso Brasil? Porém, existem pequenos detalhes que fazem a diferença. Por exemplo: a primeira clínica não quis me atender, mesmo que eu fosse pagar (???) e no hospital público não deram NENHUM remédio para a filha do motorista. Podem ser detalhes, mas viver e ver isso aqui me deu certa tristeza pelo descaso, mas também fez-me reconhecer os (bons) recursos que temos no Brasil. 

C'est la vie!



terça-feira, 24 de abril de 2012

Mídias Médias

Este post demorou devidos a problemas técnicos com a internet do hotel. Explicando o próprio título.

Sem internet aprende-se que é possível sobreviver sem ela. Mesmo que você se sinta isolado do mundo, o que não deixa de ser uma realidade, você passa a dar mais valor aos jornais, revistas, rótulos, embalagens... Isso tem ajudado a evoluir na língua francesa e a notar outros desafios a serem enfrentados:

1) A cidade está sofrendo racionamento de energia. Devido a um problema nas tubulações da empresa distribuidora, todos os dias falta luz, demorando até mais de 4 horas para voltar. Na maioria dos lugares (casas, restaurantes, bares...) a água vem por meio de bomba d´agua - que precisa de energia. Então, sem luz = sem água.  Em restaurantes é comum encontrar uma garrafa de água mineral na pia do banheiro para lavar a mão. No momento estamos em um hotel que tem gerador, então não sofremos com isso.
Previsão para cessar o racionamento: mais 2 dias.

2) Outra limitação são programas de televisão. As tvs são por satélite, que quando chove é frequente a falha de sinal. Lembrando que estamos na grande temporada das chuvas (grande saison de pluie). Ou seja, quando tem luz e não está chovendo, estamos com apenas 6 opções de canais funcionando, sendo que 3 deles são de clipes. Nos resta um canal de notícias em língua inglesa, um em francês e um canal de programas franceses de auditório no melhor estilo Silvio Santos...Na tv aberta tem outras opções, assim como exitem outros contratos (com mais canais) nas tvs por satélite, mas no momento, é o que temos!

4) No supermercado encontra-se de tudo, coisas de boa qualidade, ainda que caras. Mas o maior problema é a programação logística. Como não existem indústrias no país, tudo vem de fora. E se atrasa a chegada do navio ou qualquer outro problema de percurso, aquela bolacha que amamos vai demorar alguns dias para estar nas prateleiras. Água mineral é cara e ainda não encontramos os galões de 20 litros. As opções de água mineral são as européias ou uma que é produzida localmente e mais barata (Andza). Porém, deve ter tido algum problema nas estradas do interior, pois faz 1 semana que não encontramos essa marca aqui na cidade.


É claro, isso é um relato e pode parecer que as dificuldades são bem maiores do que realmente são, pois felizmente, essas dificuldades fazem parte de um todo, que inclui outros pontos que superam as expectativas. Além, dos fatos se darem de forma aleatória e então, no fim das contas, nada que cause um grande incômodo.

On est ensemble! 
Estamos juntos!


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Gabão, lugar bão!

Hoje completa duas semanas que desembarcamos na "Cidade dos Livres". As coisas aqui vão indo muito bem! Ainda estamos procurando uma casa/apartamento para alugar, as ofertas são poucas e agora é que estamos com as questões financeiras organizadas para comprar um carro aqui (lembram da maleta do post anterior?).

Ah! O navio que está com o container da nossa mudança, partiu do Brasil no dia 04 de abril. Sim, mais de um mês depois que a empresa coletou. Tem previsão para chegar em até 25 dias, será????

Enfim, o melhor é não pensar nisso e aproveitar a cidade! Usando do transporte público (o táxi) já fomos à 4 excelentes restaurantes. Serviço de primeira. Boa comida. Todos muito bem decorados e modernos. Também, temos visto que a cidade é cheia de boas Boulangeries (padarias), academias, spas, coiffure (salão de beleza). Saber que eles existem e que são bons me deixam muito mais feliz aqui! Aos pouquinhos vou compartilhando com vocês:

Roma Restaurant Gastronomique
    
        Kubrick

Um pouquinho da beira-mar (Bord du Mer):

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Gabonitudes

Aqui o que faz sucesso é o brochette, ou o nosso famoso "espetinho". Servido na rua ou mesmo nos restaurantes mais badalados pela alta sociedade gabonesa e estrangeira. Podem ser de peixe, camarão ou de carne.

O peixe aqui é muito bom! Bons temperos.

Aqui o endereço é dado pelo nome do bairro, acompanhado da indicação de algum prédio famoso próximo. Nome de rua não existe.

Taxi é o transporte público. Sempre pode entrar mais um! E nem sempre é com cheiro de quem acabou de sair do banho...

Fuma-se em qualquer lugar! Em restaurantes fechados e com ar condicionado pode fumar! Até nos banheiros tem cinzeiro.

Aqui o ritmo é lento. As pessoas costumam dizer: " Tous les blancs ont une montre, mais ils n'ont jamais le temps" ("Os brancos tem relógio, mas não tem tempo")

As pessoas se vestem muito bem! São muito formais. Os homens sempre estão de calça, mesmo no calor que faz aqui e mesmo sendo sábado e estando na praia! Alguns estavam até de blaser!

As mulheres são de uma beleza incrível. Sempre muito bem arrumadas. Quase não vão à praia, e as que vão estão com roupas sociais também e sapatos de salto alto. Apenas algumas crianças usam biquini, sendo a calcinha quase um shorts e mesmo assim ficam um pouco acanhadas na hora de tirar a roupa para ir ao mar. Mas dizem não ligar para a pouca roupa dos estrangeiros. As francesas fazem top less. :o

Do lado de cá não existem idosos. As pessoas não chegam a essa idade, morrem por volta dos 50 anos. Crianças? Essas são muitas! Mas todas estão na escola. Aqui não existe analfabetismo!

Moram aqui cerca de 70 brasileiros. Muitas missionárias, mas também comerciantes de sucesso. Conhecemos uma brasileira que dá aulas sobre cultura brasileira na universidade.

Terra de muitos estrangeiros. Europeus, árabes, chineses e muitos outros africanos que vêm a Libreville em busca de uma vida melhor.

É comum encontrar alguém que fale português. Tanto pela proximidade de 300 km de São Tomé e Príncipe (de colonização portuguesa) como por causa do Brasil. Gostam muito de nosso país. Camisas do Brasil não são raras. Até do Corinthians já vi.

O pessoal da embaixada é muito gentil. Estão nos ajudando em tudo! O embaixador também.

Cartão de crédito não existe. Aqui é dinheiro vivo! Para comprar um carro levaremos uma maleta!

Os preços são altos, mas tem cervejas holandesas baratas. E alguns itens tem preços melhores que os de Brasília.

Ruas asfaltadas. Um problema é o lixo. Está por tudo. Nas ruas e na praia. Falta o governo se atentar a isso.

A malária é comum, mas quando percebem os sintomas imediatamente se automedicam. Tem gente que já pegou mais de 20 vezes. Ninguém usa repelente. Nós usamos.

A cidade é segura. Tem uma vida noturna agitada. Muitos bares e bons restaurantes. Só começamos a conhecer...

E esse pôr-do-sol no mar é incrível... Libre ville!!!