sábado, 29 de dezembro de 2012

Obrigada 2012!

2012 vai se despedindo daquele jeitinho bem particular dos finais de ano: supermercados e trânsito caóticos, pessoas andando apressadas pelas ruas, luzes natalinas... Assim também está Libreville! 

Muitos restaurantes da cidade promoveram menus especiais para a Ceia Natalina e muitos deles, alguns dias antes já não estavam mais aceitando novas reservas... Lotados! Dentre as opções, escolhemos jantar no restaurante do hotel que moramos quando chegamos em Libreville e foi excelente! Foi bom voltar lá e agora se sentir um pouco mais "em casa". Um Natal bem diferente, mas muito especial!

Não posso deixar de compartilhar com vocês a festinha de fim de ano da Escola São Tomense! Foi o dia mais quente dos últimos tempos e também o mais cheio de sorrisos! Muitas crianças faltaram à festa, ainda assim foi uma grande festa, com direito a maquiagem facial, brigadeiros, bolo de cenoura e várias outras diversões! Um obrigada super especial à minha querida amiga Núbia! 








Para a virada do ano, o governo gabonês providenciou uma grande queima de fogos na beira-mar. A expectativa está grande! Só espero que na virada não caia uma das chuvas torrenciais que andam caindo por essas bandas... 

No mais, obrigada 2012! Obrigada, pois de você eu levo esses sorrisos, as descobertas, as lembranças de viagens e a marcante chegada em África. Os obstáculos de 2012 foram muitos... doença na família, choque cultural e idiomático, saudade... tudo isso foi (e está) sendo vencido aos poucos, com calma, paciência, amor e força! Rendendo bons aprendizados e de certa forma cumprindo O Objetivo!

Que 2013 seja cheio de bons momentos com Saúde, Alegria e Paz! 

Um agradecimento especial aos queridos amigos e familiares que acompanharam o blog em cada novo post, em cada desabafo meu em e-mails, bate-papos, skype... encurtando as distâncias, amenizando a saudade e as dificuldades e assim, de alguma forma, fazendo parte da minha vida! 

FELIZ 2013!!!!
ps: Estamos próximos dos 11 mil acessos! ;)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O colorir dá vida

Minha paixão pela ilha de São Tomé e Príncipe se torna cada dia maior. Eu não sei precisar quando esse caso de amor começou, mas foi aquele tipo de amor que aumenta no dia-a-dia, em cada descoberta, em cada olhar...

Talvez tenha começado ainda em Brasília, lá em 2010, quando conheci alguns diplomatas são-tomenses que faziam seus estudos no Itamaraty e com quem tínhamos excelentes conversas sobre as diferenças entre a África e o Brasil! Depois cresceu com nossa chegada ao Gabão, quando conhecemos os funcionários de nossa embaixada aqui, quase todos são-tomenses, que tão bem nos acolheram e que seguem ao nosso lado em cada pequena dificuldade encontrada! Com a convivência com eles, fui conhecendo esse povo de costumes tão louváveis, que prezam pelo respeito ao próximo e valorizam as coisas simples da vida, a amizade, a educação!



Por conta do acaso, ou não, três meses depois de chegarmos à Libreville, recebemos um pacote na caixa postal da embaixada (não existem endereços no Gabão). Meu marido foi buscar o pacote e voltou para casa com a frase: "Você não vai acreditar!". Um amigo dele, já sem contato há algum tempo, havia enviado um livro e junto uma carta que entre outras belas e confortantes palavras explicava um pouco sobre São Tomé: "Um lugar que, embora bem próximo do Gabão, é distinto por sua geografia, população, história, cultura e infelizmente, desenvolvimento econômico."
O livro em questão é o "Equador", de Miguel Sousa Tavares, um romance que se passa na ilha, na época da colonização portuguesa no início do século XX e que narra maravilhosamente bem os detalhes da paisagem, e também, de uma forma chocante e diferente de tudo que eu já havia lido, a escravidão. Um livro que me deixou ainda mais envolvida com São Tomé e Príncipe.

Eu ainda estava no início do livro quando embarcamos no aviãozinho que comporta umas 20 pessoas, que parte de Libreville e chega em São Tomé em apenas 30 minutos! Do alto já se vê a transparência das águas e a areia branca. Além de ver de perto aquela natureza virgem, ainda pudemos reencontrar nossos queridos amigos. Desde então, cada vez que penso nessa ilha, meu coração fica pequenininho, aconchegado, feliz... exatamente como me senti naqueles poucos dias por lá.

E novamente o acaso se fez presente! Algumas semanas após terminar de ler o livro, tive um encontro inesperado com o idealizador de um projeto-escola para crianças são-tomenses que moram em Libreville. A escola funciona desde 2000 e tenta manter viva a língua portuguesa, a cultura e os valores sócio-culturais do povo de São Tomé e Príncipe. As famílias são imigrantes que deixaram a tranquilidade da ilha para buscar trabalho - tão limitado por lá, e viver nas terras gabonesas.

A Escola Piloto São Tomense sobrevive graças à dedicação do diretor-fundador, um professor de educação física, que também veio tentar a vida no Gabão. Ele conseguiu o reconhecimento da escola perante o governo gabonês e o Ministério da Educação de São Tomé e Príncipe, do qual recebe uma pequena ajuda anual para a continuidade do projeto. Os demais custos são cobertos pelas pequenas mensalidades dos alunos e de ajudas esporádicas recebidas de Portugal, Bruxelas e outros parceiros, entre eles o Brasil, que fazem algumas doações de materiais didáticos.

Fui conhecer o projeto e as crianças. Caí de amores pelos 82 rostinhos lindos que me receberam cantando e dando boas-vindas! Fiquei sem reação. Não tirei foto. Não consegui absorver tudo que vi... Existem ainda outros 100 alunos em uma área metropolitana da cidade que ainda não conheci.

A escola fica em uma pequena construção, atrás de algumas barracas improvisadas de uma feira livre, um petit marché. A pintura está boa, tem um pátio pequeno e algumas salas pequenas e abafadas, algumas delas sem janelas e outras com problemas com a fiação, iluminadas apenas pela luz natural. Não tem livros para todos os alunos, precisamos tirar cópias. São 5 professores, por isso algumas turmas comportam 2 séries diferentes. E muitas, muitas outras dificuldades... Apesar de tudo isso, os alunos que saem da Escola Piloto São Tomense, aos 12/13 anos, conseguem seguir o ritmo das escolas gabonesas, falando e escrevendo bem francês e português, mostrando que o projeto precisa se manter vivo!

Eu nunca fiz trabalho voluntário e nem tenho tanto jeito assim com crianças, mas em pouco tempo eu já tenho muitas histórias para contar sobre esses pequenos... A cada tarde que passo lá sinto menos calor e volto para casa menos cansada e os conhecendo pelo nome e sabendo quem quer ser médico, jogador de futebol, engenheira de petróleo, cantor, desenhista ou uma piloto de avião!!! E o sonho comum de um dia conhecer o Brasil!

No meu primeiro dia, levei cópias impressas do Papai Noel para o pré pintar. Me arrependi! Os lápis de cor estavam sem pontas, numa caixa toda bagunçada... 


Pesquei alguns e o resultado foi: Papais-Noéis monocromáticos! :(



Levei aquela caixa para casa e agora já temos desenhos mais coloridos! :)

Como eu escrevi certa vez no facebook: Algumas experiências não são possíveis de serem compartilhadas, nem por palavras, nem por fotos. Elas simplesmente permanecerão vivas, coloridas, com cheiros, com vozes e olhares no meu coração e na minha mente. 

Não vejo a hora de encontrá-los e receber de novo aqueles abraços (claro, todos ao mesmo tempo)!